107 - Do jeito que eu mereço

Difícil é dizer com palavras o que se quer expressar em atitudes.
Não sou uma pessoa muito boa para falar de mim mesmo, mas eu continuo tentando e levando na cara.
Tenho aprendido bastante, com muitas pessoas, quem é o verdadeiro Emery.
Uma vez, o Rafinha, do BBB8 disse que às vezes não somos o que nós pensamos que somos. Às vezes, temos um conceito errado de nós mesmos.

E sempre ouvi minha mãe dizer que a gente tem aquilo que merece ter.
Será que mereço desprezo de tanta gente ? Será que mereço ouvir coisas que ouço ?
Será que mereço realmente ter a vida que tenho ?
Não tenho tanta coisa a reclamar, mas peraí ... ser o Guto é muito mais difícil do que se pensa.

Aliás, falando em pensar, eu gostaria de não pensar tanto.
Acho que um pouco de falta de memória, ou falta de consciência me faria bem.
Gostaria que realmente as coisas fossem do jeito que eu mereço.
Pelas minhas contas, acho que não tenho sido um mau garoto. Não sei se sou um mau amigo ou um mau namorado, um mau filho, um mau primo, um mau afilhado ... sei lá.
Tenho sido o melhor que posso ser (eu acho).

Mas é aí que mora o perigo. Sempre achamos que estamos sendo o melhor que podemos. Será que é a verdade ?
Não sei se estou preparado pra ser o homem que o mundo espera de mim. Acho que ser criança é mais legal e melhor. Todas as falhas são perdoadas. "Ah, mas ele é criança, não sabe o que está fazendo" (quando na verdade sabe sim) ...

Que loucura que é viver, né ?
Será que um dia aprendo esse novo jogo ? Cada errinho, cada coisa que não percebo, cada momento de "cegueira" me custa muito caro.
Sou um alguém pretendendo crescer. Mas sinceramente ? Não acho que estou conseguindo.
Puutz, me vejo como uma merda de adulto, e uma criança que não cabe mais em suas roupas.

Minhas "roupas de criança" não cabem mais em mim. Minha forma de pensar não é mais a de criança. Mas não consigo ser um adulto. E agora, o que fazer ?
Tenho muito medo. Muito medo de terminar solitário. Muitas vezes me sinto tão carente, mas tão carente, que me sinto como quando tinha 12 anos de idade e minha mãe ia trabalhar e eu ficava sozinho vendo televisão até ela chegar.

Eu voltava da escola, via TV, comia pipoca porque não sabia fazer nada a não ser pipoca.
Eu almoçava pipoca, jantava pipoca, até minha mãe chegar e brigar comigo, por não ter esquentado a comida.
A culpa não era dela, era minha. Mas eu me sentia tão só, sei lá, que não pensava em fazer nada.
Acho que nunca desabafei isso com ninguém.
Não tô fazendo tipinho de coitado não, isso é um desabafo mesmo, caramba.
Sempre fui uma pessoa muito única. Não por ser filho único, porque conheço vários que não são como eu.

O que quero dizer é que sou do tipo que gosta muito de atenção. De verdade. Talvez, algumas atitudes minhas sejam imaturas por causa dessa coisa mal-resolvida que tenho desde minha infância. Acho que isso ainda se reflete em mim hoje.
O pior é que tenho medo de não aguentar a solidão a qual eu mesmo me condiciono.
Já pensei e cheguei muito próximo a um suicídio sim. Aos 14 anos. O máximo que consegui foi me acabar em lágrimas, com um arranhão nos punhos e na barriga, pouco sangue e nenhuma cicatriz significativa, graças a Deus.

Não acho que eu precise de tratamento. Sei lá. Não sei o que eu acho.
Sei que me sinto só, mesmo às vezes tendo o mundo à minha volta.
Sabe, acho que ninguém nunca parou pra me dar atenção de verdade, entrar na minha mente, pensar como eu, viver meus problemas, dilemas, dores, perguntas e chateações.
Não existe pessoa no mundo que me conheça por inteiro. Nem eu me conheço por inteiro.
E não sou do tipo previsível. Odeio que duvidem de mim, como se eu não fosse fazer algo. Ou então que duvidem, só porque sabem que eu vou fazer. Faço o que quero.
Mas sinceramente, só acho que nunca cometi uma besteira séria contra mim mesmo, por causa da minha mãe.
Sei lá. Muitas vezes, me vejo como a única coisa que deu "certo" na vida dela até hoje, além da carreira profissional.

Tô escrevendo tanto hoje. Mas é que resolvi me dedicar um post, do jeito que eu mereço.
Contar alguns de meus probleminhas faz bem. Se eu tô mais leve ? Óbvio que não.
Sei que a única coisa que estou fazendo é escrever para um monte de gente sanguessuga que entra, lê e sai como se nem tivesse lido nada aqui.
E peraí: não sou tão idiota quanto pareço, porque meu contador de visitas me mostra que não sou o único a entrar aqui.

Consigo contar nos dedos das duas mãos as únicas pessoas que comentaram aqui, ao longo de 107 posts. CENTO E SETE posts e 9 pessoas diferentes comentaram aqui até hoje.
Mas enfim, não preciso do comentário de ninguém para postar. Até porque se eu precisasse, não tinha passado nem de 10 posts.
Não estou assumindo uma postura egoísta, só que não posso viver de expectativas dos outros.

Aliás, é outro defeito meu. Achar que o mundo gira a meu redor, e as pessoas vão cumprir minhas expectativas sempre.
Achar que todas as pessoas que se dizem minhas "melhores amigas" vão estar comigo SEMPRE, como elas dizem. Achar que todas as pessoas que dizem que sempre vão me ouvir, vão ouvir, quando na verdade, nem estão interessadas em ouvir, quando eu começo a contar.
Droga, tô cansado de conversar com as paredes.

Chega. Chega de falar, de me expor, de dizer coisas à toa.
Cansei, tô cansado e quero ficar quieto. Mas que me dá uma sensação de que tô entalado, aah ... isso dá sempre.

Saudações.

2 comentários:

Anônimo

01/04/2008, 01:43

Olha eu realmente amei esse post!Acho q o q eu mais amei*Naum digo nem comento pq vc é meu amigo ou pq tadinho do Gutinho é pq me identifikei com mt do q vc falou e pq sempr fiko dps pensando nas coisas q vc diz (( afinal eu acho q pra isso os textos servem))!!!E uma coisa posso t dizer q o pior d tentar se matar é descobrir q isso dói mas q dá tmpo d se arrepender! AMO-TE

Anônimo

01/04/2008, 01:45

eu me enganei na verdade o MELHOR d tentar se matar é dar tmpo d nos arrependermos